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2014_04_02 Picoas



Cruzamento da Av. 5 de Outubro com a rua Pinheiro Chagas.

2015_04_15 YOYO

 
Na letra Y do Alfabeto Lisboeta fomos conhecer a YOYO, uma loja/atelier perto do Príncipe Real que tem à venda mobiliário criado em Portugal nos anos 60 e 70 do século XX.

2015_04_12 Abrigo do Jumento



Criado pela Burricadas para acolher burros velhos o Abrigo do Jumento funciona como um refúgio onde os animais recebem todos os cuidados. Assim que deixam de ter utilidade para os seus donos muitos são abandonados ou abatidos.



No abrigo, as cabras enfermeiras tratam de receber e integrar os recém chegados.



Os desenhos foram feitos durante mais um workshop organizado pelo Richard Câmara.
Parece que o próximo workshop de Maio vai meter cavalos.

E que os lápis de cera vão continuar a ter uso.

2015_04_01 Maternidade Dr. Alfredo da Costa



Inaugurada em 1932 foi local de nascimento de milhares de lisboetas.

2015_03_27 Piazza Bernini


A cidade inconsciente é a cidade banal que não vem nos roteiros. É a cidade que se desenrola diante dos nossos olhos quando nos sentamos num banco do jardim e começamos a desenhar o que se passa à nossa volta.
É a cidade das pessoas que passam, que param, que conversam. Dos elétricos que circulam, dos carros que buzinam e que aceleram.

2015_03_28 Una strenua chiarezza


Turim é uma cidade vibrante. 
- "Um reduto de italianos!!" sentenciou o João quando já em Lisboa troquei com ele as primeiras impressões sobre a viagem e ele me contou a sua visita a Turim há quase 30 anos. 
As ruas do centro estão inundadas de gente que quer ver e ser vista e pensando melhor não me lembro de me ter cruzado com muitos turistas.
Sábado à tarde, com uma vela na mochila, arranquei com o Filipe e a Sofia em direcção ao centro da cidade. Quase a chegar à Piazza Castello vejo as pessoas começarem a andar apressadamente na nossa direcção, fumo no ar e sirenes ao longe a piscar. Logo a seguir um grupo de polícias corre para uma rua próxima. As pessoas estavam agitadas e entrámos mesmo à justa na casa de gelados que era a primeira etapa do nosso percurso antes dos empregados correrem as grades de protecção das janelas. Depois de reabrirem as portas da geladaria chegámos à praça e o Filipe seguiu para o Museu Arqueológico. 
Estava a chegar à conclusão que todas as saídas da praça estavam vigiadas pela polícia, quando alguns manifestantes marcharam pela praça empunhando bandeiras encarnadas com a foice e o martelo, pararam e fizeram um discurso sobre a imigração (ouvi mais tarde que a Liga Norte fizera uma contramanifestação e daí a presença policial reforçada). Os manifestantes eram pouco mais que umas dezenas e depois desmobilizaram. Os ânimos pareciam serenados, os italianos estavam calmos e concentrei-me no desenho.
Ao entrar na praça reparara numa única carruagem estacionada em cima de duas vigas de caminho de ferro. Era velha e para transporte de mercadorias (pensava eu). Na lateral tinha afixado o anúncio de uma exposição no palácio/galeria mesmo ao lado. I mondi di Primo Levi com o subtítulo Una strenua chiarezza (Uma clareza vigorosa). 
Uma velha carruagem transportada para o meio de uma praça do centro de Turim pareceu-me um bom objecto para desenhar e para responder ao desafio que tinha sido lançado com o tema da ressurreição (escolhi a palavra ressurreição para simplificar como se fosse possível sintetizar numa só palavra as inúmeras pistas que os desafios do Mário permitem trilhar, mas isso é outra estória) e que obrigava a que o mesmo fosse executado com a tal vela que tinha trazido. 
Tinha escolhido a vista e tinha começado as experiências com a vela quando o Pedro Loureiro passou por ali e me explicou que o Primo Levi tinha sido um escritor italiano (nascido em Turim, vi eu depois na wikipédia) deportado para Auschwitz durante a segunda guerra mundial. Se não tinha sido transportado naquela carruagem teria sido numa igual. Passei a olhar para a carruagem com outros olhos e os meus sentimentos em relação à carruagem tinham mudado. Aquela era a carruagem em que tantas pessoas, em péssimas condições, tinham sido conduzidas para a morte. Aquela carruagem tinha resistido a uma previsível destruição e setenta anos depois da libertação de Auschwitz estava ali no meio da praça para nos obrigar a não esquecer. 
Uma memória viva.

2015_03_27 Turim fora da caravana



Os eléctricos em Turim passam com muita regularidade o que os torna num meio fundamental para conhecer a cidade. Uns mais modernos que outros, circulam até ao centro da cidade no meio dum trânsito fluido e sem constrangimentos.
A primeira viagem foi curta porque a espetativa de começar a desenhar era grande.
Sair da caravana, procurar a imprevisibilidade, prender-se ao que é importante.