2016_12_27 em tempo mais fundo que o quotidiano


Carta de Natal a Murilo Mendes

Querido Murilo: será mesmo possível
Que você este ano não chegue no verão
Que seu telefonema não soe na manhã de Julho
Que não venha partilhar o vinho e o pão

Como eu só o via nessa quadra do ano
Não vejo a sua ausência dia-a-dia
Mas em tempo mais fundo que o quotidiano

Descubro a sua ausência devagar
Sem mesmo a ter ainda compreendido
Seria bom Murilo conversar
Neste dia confuso e dividido

Hoje escrevo porém para a Saudade
- Nome que diz permanência do perdido
Para ligar o eterno ao tempo ido
E em Murilo pensar com claridade -

E o poema vai em vez desse postal
Em que eu nesta quadra respondia
- Escrito mesmo na margem do jornal
Na baixa - entre as compras de Natal

Para ligar o eterno e este dia.

Lisboa, 22 de Dezembro de 1975

Sophia de Melo Breyner Andresen (Porto, 1919-2004)
in O Nome das Coisas (1977)

2016_12_17 Escalas


No caso de um desenho ou mapa, a escala é a razão constante entre medidas de comprimento do que foi desenhado e o objeto real que está sendo representado, sempre tomadas na mesma unidade (diz a wikipédia...).

2016_10_01 Rua da Junqueira


O Chafariz da Junqueira foi erguido em 1821 frente à Cordoaria Nacional. 
Em 1838 foi acrescentado o caudal descoberto na proximidade de Rio Seco, para serventia do chafariz, até então abastecido por uma mina de água situada no Alto de Santo Amaro. Na década de 40 teve arranjo urbanístico da envolvente, segundo projecto do arquitecto Raul Lino e mais tarde pintura dos azulejos das ilhargas do chafariz na Fábrica Viúva Lamego, executados por Mário Reis.

2016_10_03 Bairro São Miguel


No outubro que passou a explorar marcadores novos.