2017_02_25 O puto do skate



O puto tinha estado a espreitar o desenho da Celeste antes de aterrar o skate mesmo à minha frente. Pisou o rabo da prancha com toda a força e quando ela se imobilizou na vertical agarrou-a rapidamente com a mão direita e enfiou-a debaixo do braço esquerdo com toda a naturalidade.
Olhou para o desenho por cima do meu ombro e depois olhou para a fachada da Casa Xangai. 
-"Está muito parecido. Só falta o anúncio da Securitas." 
 (Pois falta ... um boneco com aquela cor não tinha passado despercebido mas com aquele tamanho resolvi que não cabia no desenho).
Quando o pensamento acabou de ranger já o puto estava à porta do prédio seguinte, sentado no chão, a tocar na guitarra do música de rua que tinha um pano para as moedas à frente das pernas cruzadas.
Voltei a olhar o anúncio, um aviso que muitas lojas afixam na montra para sinalizar aos potenciais ladrões que estão protegidas por uma ligação a uma central de alarmes. Queria confirmar o nome. Como eu suspeitava a empresa de segurança já não se chama Securitas. Era impossível enfiar o anúncio no desenho mas se o puto disse que havia uma falta então havia que fazer a experiência. 
Quando finalmente consegui reduzir, mal e porcamente, o anúncio a duas linhas e três letras já o puto tinha navegado para outras paragens.

4 comentários:

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    1. Somos permanentes vitimas de assédio visual :)

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  2. Muito bom Filipe! Quando vamos desenhar outra vez? E desta ofereço eu o lanche ;)

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    1. Temos que combinar novo encontro. O último foi proveitoso.

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