2015_12_28 Um desenho de revista

O chuto foi com tanta força que antes dela voar por cima do parapeito do terraço da Fonte Luminosa eu já tinha ouvido o estampido do pé a bater na bola. Ainda vi a curva lenta que fez até cair a pique a toda a velocidade no lago das estátuas. SPLASSHHH!!!
Passados poucos minutos apareceram os donos da bola a chilrear numa língua estrangeira (bengali ou hindu? inventei eu a tentar decifrar o idioma pela cor da pele). Eram cinco. Entre os oito e os doze anos (numa estimativa apressada), e vinham a saltitar em cima do muro onde eu estava a desenhar. Passou a guia a olhar de soslaio evitando pisar as tintas, três saltaram para o chão, contornaram-me e retomaram o muro mais à frente. O ultimo ajoelhou-se, olhou para o caderno e para o desenho que mal tinha começado e perguntou em português perfeito e educado:
"Vai desenhar?"
"Bem... eu já estou a desenhar."
Olhou outra vez os riscos incompletos.
"E posso ver um desenho que já tenha feito?"
Folheei o caderno até encontrar um desenho anterior da Alameda.
"Parece um desenho de revista."

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