2018_12_05 10 x 10 Cars and machines
Na sessão do programa 10 x 10 Cars and Machines com o Nélson Paciência.
Numa garagem de bairro com muitas histórias para contar.
Numa garagem de bairro com muitas histórias para contar.
2018_09_21 Avenida Rovisco Pais
No sitio da Câmara Municipal de Lisboa informam que:
"O topónimo perpetua na cidade de Lisboa a memória de José Rovisco Pais (Sousel/1860 - 1932/Lisboa), lavrador, comerciante e industrial que na capital deixou a sua marca por ser o proprietário da Fábrica de Cerveja da Trindade e por ter legado a quase totalidade dos seus bens para a Maternidade de Alfredo da Costa e os Hospitais Civis de Lisboa. "
2018_08_25 Explorando o MUNHAC
Antes de existirem museus como o Museu Nacional de História Natural e da Ciência os exploradores quando avistavam uma nova espécie no seu habitat natural tinham que ser rápidos a documentar o avistamento. Não sabiam durante quanto tempo iriam estar frente a frente com a espécie com que tinham estabelecido contacto. Nos museus de hoje as espécies permanecem imóveis para sempre e se temos que ser rápidos a desenhá-las é porque o tempo que escasseia é o nosso.
10 x 10 no Museu de História Natural
No próximo sábado, às 15h00 tem início o ciclo de inverno dos workshops do programa 10 x 10. A convite do Nélson Paciência, vou orientar um workshop no Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Iremos descobrir e desenhar alguns dos mais de 1000 espécimes patentes na exposição SPECERE, uma pequena parte das coleções de história natural do museu. Vamos desenvolver as capacidades de observação usando o diário gráfico no ambiente controlado de um museu mas desenhando como os exploradores de territórios desconhecidos registando novas descobertas para mostrar ao mundo.
Contacto para inscrições:education@urbansketchers.org
Consulta aqui o programa completo.
2018_09_30 Frente a frente
Neutral Face Portraits é um projeto da fotógrafa canadiana Brie Vos. Quando em Agosto durante as férias de Verão procurava fotografias de grandes planos para treinar o desenho do rosto humano não a conhecia. Queria dar uso a um caderno novo que ganhara de prenda no Symposium dos Urban Sketchers no Porto e decidira desenhar "caras" para ocupar o tempo livre. Optara pelo preto e branco porque dramatiza e acentua as principais características do rosto. Peguei num marcador preto e em mais dois ou três tons de cinzento para trabalhar volumes e mergulhei na web. Quando descobri o sitio da Detour Photography percebi que não precisava de ir mais longe e que encontrara material suficiente para me manter ocupado um bom par de dias.

Fotografar pessoas com o mesmo enquadramento, a mesma iluminação e com a mesma expressão neutra cria uma base comum que acentua as diferenças de idade, género ou raça. "Todos diferentes e todos iguais" foi a frase de propaganda política que me veio à cabeça. Os voluntários deste projeto desnudaram-se perante a câmara fotográfica. O olhar fixo arrepia pelo que revela. Por detrás do olhar neutro há sofrimento disfarçado e coragem destemida até mesmo no olhar perdido duma criança a tentar processar os poucos meses de idade. Dentro desta pele que vestimos ao nascer temos todos os mesmos medos, as mesmas esperanças, as mesmas hesitações com que lidamos da melhor forma que sabemos. À procura do nosso lugar seguro.
2018_08_18 Os tempos mudam-se
Com a repetição continuada, o cansaço instala-se. Depois de 101 desenhos, os erros acumulam-se e o interesse dispersa-se. É tempo de trocar as voltas ao mundo que ainda o dia é uma criança.
2018_08_15 A quebrar vinhetas
As caras começam a
ganhar personalidade mantendo sempre a expressão neutra. A atenção centra-se no olhar. Descentrar o brilho do olho da cor da pupila? Colocar o branco em cima da pupila anula a pupila. Pintar o olho de cinzento, a pupila a preto e deixar o branco do brilho é muita informação num espaço tão reduzido. Se o modelo tem óculos os óculos devem sobrepor-se às sobrancelhas. O lábio inferior ganha brilho e fica só delineado, sem cor. A sombra por baixo do lábio inferior dá-lhe a dimensão e o volume. Bebés são outro desafio. Usar o mínimo de linhas. Usar o mínimo de sombras. Conseguir acertar nas proporções.
Cabeça grande. Olhos arredondados, nariz sem volume, só a abertura das narinas por cima de lábios pequenos e carnudos, a boca entreaberta onde se adivinha a baba que escorre e queixo curto. Não há sombras por onde pegar.
2018_08_14 Escalas alteradas
A primeira imagem que surge na sequência da galeria é a primeira a ser desenhada. Não há bons ou maus retratos para desenhar. Todos têm que ser desenhados independentemente de preferências pessoais. A primeira criança que surge na fileira de retratos resulta mal. A testa fica demasiado curta. O nariz fica constipado. Os desenhos seguintes resultam mal. Desconcentrados. Repetem-se caras para corrigir erros. A escala da vinheta começa a ser limitativa. Os desenhos querem crescer e soltar-se da moldura. Ganhar expressão e ganhar vida. Com o aumento da escala o desenho ganha pormenores. O jogo com a cor de fundo aumenta o contraste. É tempo de aumentar a escala do desenho. Numa página fazer um só retrato.
2018_08_11 Neutralidade

Os retratos tomam conta do caderno. Invadem e sobrepõe-se aos outros desenhos com a ajuda dos marcadores que mascaram os fundos. Os pormenores começam a ter relevância. A cara de uma criança é mais redonda. O nariz menos desenvolvido. Os olhos têm brilho. A região das frontes dá volume ao crânio. São marcadas com sombras. Os cabelos femininos confundem-se com as linhas do rosto. Os rostos estão muito iluminados, poucas sombras. Não há perfis. Um par de olhos fixos na lente. Bocas fechadas sem dentes à vista. Expressões neutras.
2018_08_11 Montar o acampamento
Começar uma nova página em branco é uma oportunidade para arriscar, de começar de novo a partir do velho. Mudar a perspectiva. Um passo ao lado. Muda-se a cor da moldura, muda-se a cor das linhas do retrato e... o primeiro ensaio corre mal, o segundo também. Mudar de novo a cor da caneta, mudar de novo a cor de fundo. Seguir em frente sem perder tempo. Voltar ao plano inicial de desenhar a preto e branco. Voltar a experimentar alterar a cor de fundo. Encontrar celebridades. Os nomes ganham uma cara. O que é a cara? Que tipo é que estou a desenhar? É um tipo político? É um tipo pensativo? Há esta página na internet onde as fotos se alinham umas ao lado das outras sem fim à vista. São muitas fotos. Todas a preto e branco. Todas alinhadas a preencher a janela do computador. Todas formatadas. Pode-se parar e gastar mais tempo num retrato porque depois é mais fácil procurar a próxima foto quando o desenho acabar. Tempo de parar e explorar as redondezas.2018_08_08 Grandes Planos
Desenho do rosto humano. Fotos a preto e branco e grandes planos.
Começa com a pesquisa no motor de busca por "black and white face close up photos" e vai percorrendo foto após foto. Os meios estavam decididos. Preto para os traços principais: os olhos, o nariz, boca, orelhas e um ou dois tons de cinzento para as sombras. As fotos desfilam umas atrás das outras. Um grande catálogo de miniaturas, retiradas de galerias e de bancos de fotos. Centenas de fotografias, milhares de fotografias.
A grelha está decidida. Nove desenhos por página. Fotos tipo passe. Surgem as primeiras questões. A cor da pele. O brilho dos lábios. A expressão neutra. O sorriso esboçado. O cabelo liso e penteado, o cabelo encaracolado. As rugas da idade. Algumas fotos ilustram artigos cheios de referências técnicas. Algumas caras têm nomes. Bill, o canalizador. Outras apenas uma legenda com o nome da lente com a foto foi tirada. As caras têm uma expressão neutra, pensativa e sonhadora. Instintivamente vou escolhendo as que olham a câmara diretamente.
2018_08_04 Lisboa 42º
Num sábado com 42 graus de temperatura as estratégias para fugir ao calor incluem uma passagem pelo supermercado, um passeio pelo centro comercial, uma visita ao museu ou conduzir por uma Lisboa entorpecida pelo calor com o ar condicionado ligado.
Ou então entrar numa igreja de paredes grossas que conservam o fresco nas pedras e onde se escuta a caneta a riscar o papel.
2018_07_19 Sketchers Symposium
O Atul Shinde veio da India. No cartão de visita que distribuía a quem interagia com ele apresenta-se como arquiteto e designer de interiores. A Daria é ucraniana e estuda Ilustração na Califórnia. Neste mundo globalizado, a Daria, como muitos sketchers que conheci, estuda ou trabalha fora do seu país de naturalidade.
2018_07_18 Desenhar no Symposium
Grande parte da atração do desenho está no ato de desenhar. O momento em que a nossa concentração está focada em transmitir para o caderno o que observamos. Quando na cidade do Porto perto de oitocentas pessoas estão nesse dia a desenhar ou já fizeram um desenho é porque está a acontecer um Symposium de desenho.
2016_06_28 Avenida Duque de Ávila
Good time for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
(Steven Patrick Morrissey)
2018_05_01 Rua Braancamp
Arruamento com início na praça Marquês de Pombal e fim na Rua Alexandre Herculano, homenageia Anselmo José Braamcamp que nasceu em Lisboa em 23/10/1819 onde faleceu em 13/11/1885. Político alfacinha, licenciou-se em Direito em 1840 na Universidade de Coimbra e foi nomeado delegado do procurador régio em Almada, cargo que exerceu até 1845, ano em que foi nomeado para idêntico lugar emLisboa vindo a exercer as funções de secretário geral. Quando o Marquês de Sá da Bandeira desembarcou no Algarve, já Anselmo Braamcamp lá estava ao lado da divisão militar como governador civil dos distritos do Sul.
Acabadas as lutas com a entrada de Saldanha em Lisboa, foi eleito Deputado por um dos círculos desta cidade, ocupando o lugar por vários círculos até 1884. Foi ministro da Fazenda (1862), da Marinha e Ultramar (1866) e da Marinha (1868). Foi ainda líder do Partido Progressista (1875), ministro dos Negócios Estrangeiros (1879), para além ter orientado com Oliveira Martins, em 1885, o movimento político Vida Nova, de oposição a Fontes Pereira de Melo.
2018_05_09 Largo de São Miguel
"Há muito tempo que não via Alfama tão calma." comentava o Pedro Cabral.
O jogo da bola entre os putos e a equipa dos turistas no adro da Igreja já tinha acabado. Anoitecia e Alfama perdia a luz levada pelo vento do fim da tarde. Eram poucos os turistas e a principal atração era a ratazana coxa e pelada que corria de buraco em buraco perseguida pelos putos que já tinham esquecido a cabazada que levaram dos turistas e pelos gritos das mães que sinalizavam qualquer avistamento do bicho com um sonoro e repelente: "Ai que gorda !!!"
O pó das obras do futuro Museu Judaico de Lisboa andava pelo ar. Tinha começado a demolição do prédio antigo do qual já só restavam algumas paredes meio destruídas e uma pilha de escombros.
"Ainda no domingo as paredes estavam de pé." E o Pedro sabia pois tinha andado nos últimos dias pelas redondezas a preparar o workshop.
Tinha estado há uns anos no mesmo largo, quando a palmeira não tinha sido comida pelo escaravelho, num workshop do Richard Câmara em plenas festas de Lisboa. Como acontece todos os anos as barracas de comes e bebes comprimiam-se umas ao lado das outras competindo em estridência sonora deixando no meio um estreito carreiro para ser apinhado de gente.
Há muito tempo que não via Alfama tão calma.
2018_04_12 Albertus Seba
Albertus Seba foi um zoólogo e farmacêutico. Nascido na Frisia Oriental, Seba mudou-se para Amsterdão como aprendiz e abriu, por volta de 1700, uma farmácia próxima ao porto. Seba pedia aos marinheiros e cirurgiões dos navios que lhe trouxessem plantas e produtos animais para ele usar na preparação de medicamentos. Acabou por colecionar espécimes de plantas e animais, formando uma importante coleção (composta por mamíferos, aves, moluscos, insetos e, sobretudo, serpentes).
Em 1734 Seba publicou um Thesaurus de espécimes animais com gravuras. Hoje, o volume original de 446 painéis está em exibição permanente na Koninklijke Bibliotheek em Haia na Holanda.
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