2016_06_09 Alfama


Manhã cedo, véspera de 10 de Junho.
Para descrever a baixa de Lisboa nesse dia o primeiro substantivo que me ocorreu foi um que já não se usa muito: balbúrdia. Trânsito condicionado por causa dos ensaios para as cerimónias no Terreiro do Paço, o Campo das Cebolas é nestes dias um estaleiro de obras e o quarteirão seguinte, a caminho do Jardim do Tabaco, está transformado num campo arqueológico.
Em Alfama a balbúrdia juntou-se ao frenesim. Os preparativos para a véspera de Santo António atingiam o auge com o barulho dos martelos a pregar balcões feitos de tábuas de contraplacado nas paletes que serviam de base às bancas de venda de sardinhas, bifanas e afins.
Desviado da confusão, no interior do bairro, optei por me concentrar nos becos e escadinhas à procura do tempo de Roque Gameiro descartando as decorações de Santo António e os turistas de mala na mão à procura do alojamento com reserva feita no Airbnb.




Depois de olhar as linhas cruas do desenho, num fim de tarde, voltei a Alfama para colocar cor.




6 comentários:

  1. Lisboa está um caos, realmente. E as avenidas novas nem se fala! Mas o teu desenho, de balbúrdia é que não tem nada! Está espetacular!

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    1. Foi opção deliberada abstrair-me da confusão. Não sou bom a trazer o 'reboliço' para o desenho. São coisas que em que vais reparando, no sítio, à medida que vais desenhando e ou reages a isso ou te mantens fiel ao plano inicial. As notícias de hoje dão conta de mais obras municipais com início para a semana (segunda circular e eixo graça-paiva couceiro). Depois da balbúrdia vamos chegar ao pandemónio.

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    1. Bom mesmo bom é ter tempo para desenhar e explorar Alfama e arredores. Um luxo!!!

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  3. Que desenhos, paginação, cor!
    Fiquei imenso tempo a absorver os detalhes.
    Incrivelmnete bom!

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    1. Desenhar em Alfama é um mergulho no tempo. É muito inspirador.

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